03 abril 2017

Pra saber de você


Som alto, cabeça longe, vontade de saber. Qual a tua cor preferida? E qual filme te fez chorar? Quais são teus planos daqui a 5 anos? E os teus sonhos, dos impossíveis aos prováveis, quais são? O que faz teu coração dançar feliz e o que motiva a calmaria do teu olhar e a docilidade do teu riso?

Meus olhos brilham, marejam e se derretem ao imaginar os teus olhos passeando pelo céu, buscando respostas claras que saciem a curiosidade dos meus sentidos bisbilhoteiros. Quase ouço a voz calma contando além do que pergunto, soltando impropérios, cochichando ofensas, me dizendo o quanto preciso crescer.

Eu, ainda que falante, quero me acalmar, ficar quietinha, espremida no meu canto e ouvir. A coisa mais linda é ver alguém desabrochar, escancarar a vida, desenterrar histórias só pra encantar, só pra ler nos olhos do ouvinte a surpresa do ser além de um estereótipo, de uma ideia pré concebida, injustamente formulada na pressa dos nossos dias corridos. É lindo saber que as pessoas são caixinhas inebriadas de vida, ora embebidas de dor, noutras purpurina e alegria, drama, coragem, ousadia.

Cada pessoa carrega trilhas sonoras e poesias, uma comida preferida, um momento mais feliz de sua vida, e eu quero saber, chegar mais perto, tocar mais fundo, ver e ter. O mundo anda superficial demais, editado demais, cheio de filtros e efeitos... Só quero te ver de verdade, fuçar a realidade, dar de cara com teus dias cinzas e continuar te amando neles, porque os dias de menos cor não definem ninguém.


Então senta aqui. Sem pressa, sem compromisso ou responsabilidades, sem precisar dar satisfação a ninguém, nem postar nas histórias dessas redes sociais que querem saber mais do que eu. Senta aqui, abre o coração e me conta de você. Conta tua cor preferida, o filme que te fez chorar... Quais são os teus planos daqui a 5 anos?

Carolina Santana, Pra saber de você, 01 de abril de 2017
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20 março 2017

Praia, Beatles e fim


"Dias de praia, de sol quente na pele e na alma. Dias de folga de descanso e maresia, do adeus à melancolia, da falta, da sala vazia. As nossas pernas se entrelaçavam naquele sofá apertado, naqueles dias incertos e apesar de parecer angustiante não era. Tudo soava instigante demais apesar de não termos o que falar e, sabe, não saber o que dizer sufocava ainda que disfarçasse os poucos assuntos e nos poupasse das amenidades.

O verão correu solto, como toda pausa desenfreada corre, a vida imitou a arte e se sucedeu em poucos, e bem ensaiados, atos. O fim chegou, já era hora de outra estação, mas como era fim doeu, rasgou, deixou estragos por fora e por dentro. Refletimos tanto sobre o fim, que concluímos que nem todos são tão ruins. O fim da dor, do trabalho, do caos, da briga, todos esses fins são bons, mas todo o resto é ruim e dá insônia. Ficamos de anotar isso pra não esquecer. Não esquecemos. Passamos adiante pra os sobrinhos e as moças sorridentes que queriam saber da nossa história.

Quando deixamos de ser nós foi triste, mais um fim ruim pra colecionar, mas aí muita coisa já tinha passado, uns sonhos já tinham sido riscados da minha lista interminável e eu já não era tão avoada ,como sempre faziam questão de falar. E foi bom, depois de ser quase tanto tempo, ser só eu andando por aí foi reconfortante. Eu tinha perdido minha sombra mas era, a partir dali, uma pessoa inteira com alguns planos bobos e uma vontade absurda de viver.

Nessa vontade de ser, que quase me rasga o peito, caí muito, ralei os joelhos tentando descobrir onde eu tinha deixado o plano que abandonei. Procurei, insisti, não achei. Fiz um melhor. Com mais cores e vida, com mais poesia e música. Com mais “In my life” – sem ser cantada pelos Beatles - daquele filme que a gente ficou de ver. Chorei ao ouvir, mas chorei porque a música é linda e me lembra a outra casa que pouca gente conheceu, a casa que eu fugia, stalkeava, dançava e sorria.

Os dias de praia sempre vão me lembrar a história toda e os fins bons e as músicas, o vestido, meus contos e sonhos e, claro, o nome da minha filha que agora, depois disso, já não é igual. Sei que hoje se inicia um capítulo diferente dessa história tão singular, tão unilateral, tão única e especial. Hoje eu não tenho mais bagagens nem verbos no plural. Larguei memórias mas guardei lembranças e prometo recordar os bons momentos por mim. Eu ainda sonho em contar histórias pra crianças e elas merecem ouvir sobre fins... os bons, sabe?

Continuo economizando amenidades pra ter aqui o que foi feliz, apesar de muito deixar, guardar tudo o que foi bom em mim. De começos a fins, amar. De músicas a poesias, lembrar."

07 de novembro de 2016 Carolina Santana


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15 março 2017

O post no instagram que não deu certo

Mudar a ótica, ver de um outro ângulo, deixar pra trás os sentimentos velhos, dar um F5 no coração.
Todo mundo precisa mudar porque os anos chegam e fincar pra sempre num solo rachado nos mata aos poucos, nos rouba de nós. O novo dá um medo danado! Se não der certo? Se a velha história se repetir? Se o coração mais sofrer que florir? Os riscos são reais mas se lançar é viver, se lançar é saber que ser feliz é também ter histórias de superação pra dizer!

Carolina Santana, 14 de março de 2017.
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