11 outubro 2017

Esperar é Caminhar

Créditos na foto.

Esperar...

Tenho a sensação que a vida é feita de esperas. Entre os pontos baixos e altos do enredo de nossa história, em cada vão e nos acasos, estamos nós, olhando um céu - talvez - nublado, esperando.

Aguardamos sentidos, soluções, sorrisos. Esperamos para que a promessa se cumpra, para que o choro parta, para sermos melhores. Se espera até pelo que não se sabe e apesar de ser doloroso, e até conflitante, é melhor do quê estar perdido, vagando...

Esperar é tratar. Esperar é pausar. É o tempo entre um remédio e outro, onde o antidoto faz efeito.
Esperar é sagrado. Desde criança ouvimos que o apressado come cru...
Esperar é o passo de impulso pra largar na corrida, é prudência, é estreitar os olhos pra enxergar pralém do sol.

Mas esperar não é fácil, é doído, é andar vendado em incertezas, é pisar em ovos, em fragilidades.

Apesar dos percalços da espera ela é o único caminho que nos leva ao corredor silencioso, ao ponto de paz que aclara a noite do coração, e por isso esperar é luz pro breu dos sentimentos, das partidas não curadas, das palavras que até hoje reverberam no ar sem destino ou propósito.

Esperar é dar um tempo, no entanto, não é abandonar o jogo, não é desprezar o leme. Enquanto se espera aceitamos a companhia de uma boa trama que aqueça o coração e de uma bebida quente que esquente todo o resto. Enquanto se espera o lápis está disponível para traçar rabiscos e aqueles planos inimagináveis, escritos pelo roteirista da vida.

Enquanto espero sei ser parte de um mundo que freia os astros para a peça da vida permanecer acontecendo e entre os acontecimentos, sem pressa, a gente espera, se aquece, pausa, compreende, se projeta, corre, volta pro silêncio e se recupera mais uma vez, entendendo que de espera em espera a vida se faz e a gente, já tão maiores e mais fortes, seguimos caminhando.


Carolina Santana, Esperar é caminhar, 09 de outubro de 2017


P.S.: Esse texto surgiu enquanto ouvia a música Esperar é Caminhar da banda Palavrantiga.
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02 setembro 2017

Essas palavras vão pra você


Essas palavras vão pra você que já acreditou tanto e hoje cansou, pra você que carregou no peito um jardim inteiro mas que hoje murchou.Vão pra você que perdeu noites de sono embalando o peito com sonhos e os viu escorrer pelas frestas das mãos.

Você ficou.Sem bagagens, sem esperanças, só com as lembranças.

Vim pra te dizer que não é o fim da vida, não é o desfecho, não é pra sempre. Algumas histórias perdem o sentido no meio do caminho, afinal não vivemos um roteiro de Hollywood. Aqui é a vida real: tem dor e sorrisos, descaso e poesia. Tem a gente ruindo e celebrando. Nem sempre vai dar certo mas sempre vai ser o certo.

Te passo uma receita: pegue um saquinho e coloque dentro todas as memórias, as histórias, os sonhos que não mais são, as dores que no peito fincaram, entregue-o no altar de Deus. Ele é aquele que sabe desenhar recomeços, aquele que sabe cuidar de um coração em pedaços, dos nossos corpos surrados.

Entregue tudo, porque quando se perde também se ganha e às vezes é só de mãos vazias que conseguiremos carregar histórias novas. E aí, na leveza de nada ter e na ousadia de muito ser, a gente segue na certeza de trilhar caminhos incertos e seguros daquele que nos ama antes de qualquer coisa existir.

Vai dar certo. O amor nunca erra. Confia e espera!

Carolina Santana, 22 de maio de 2017
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03 abril 2017

Pra saber de você


Som alto, cabeça longe, vontade de saber. Qual a tua cor preferida? E qual filme te fez chorar? Quais são teus planos daqui a 5 anos? E os teus sonhos, dos impossíveis aos prováveis, quais são? O que faz teu coração dançar feliz e o que motiva a calmaria do teu olhar e a docilidade do teu riso?

Meus olhos brilham, marejam e se derretem ao imaginar os teus olhos passeando pelo céu, buscando respostas claras que saciem a curiosidade dos meus sentidos bisbilhoteiros. Quase ouço a voz calma contando além do que pergunto, soltando impropérios, cochichando ofensas, me dizendo o quanto preciso crescer.

Eu, ainda que falante, quero me acalmar, ficar quietinha, espremida no meu canto e ouvir. A coisa mais linda é ver alguém desabrochar, escancarar a vida, desenterrar histórias só pra encantar, só pra ler nos olhos do ouvinte a surpresa do ser além de um estereótipo, de uma ideia pré concebida, injustamente formulada na pressa dos nossos dias corridos. É lindo saber que as pessoas são caixinhas inebriadas de vida, ora embebidas de dor, noutras purpurina e alegria, drama, coragem, ousadia.

Cada pessoa carrega trilhas sonoras e poesias, uma comida preferida, um momento mais feliz de sua vida, e eu quero saber, chegar mais perto, tocar mais fundo, ver e ter. O mundo anda superficial demais, editado demais, cheio de filtros e efeitos... Só quero te ver de verdade, fuçar a realidade, dar de cara com teus dias cinzas e continuar te amando neles, porque os dias de menos cor não definem ninguém.


Então senta aqui. Sem pressa, sem compromisso ou responsabilidades, sem precisar dar satisfação a ninguém, nem postar nas histórias dessas redes sociais que querem saber mais do que eu. Senta aqui, abre o coração e me conta de você. Conta tua cor preferida, o filme que te fez chorar... Quais são os teus planos daqui a 5 anos?

Carolina Santana, Pra saber de você, 01 de abril de 2017
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